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Michiko Koshino

Como combinar ideias inovadoras, excitantes e sexys com texturas extravagantes, ligando a seriedade oriental com o estilo frenético ocidental? Michiko Koshino é uma designer de moda japonesa que conseguiu essa combinação, e o mundo está a perceber.

por Massimo Gava

 

“Acabei de fazer um vestido com a tela de um paraquedas”, me disse Michiko depois de lhe perguntar. “De onde você tirou essa ideia?”, pergunto com curiosidade.

“Comprei uns trezentos há algum tempo e hoje de manhã acordei com essa ideia, então comecei logo a desenhar todo isso aqui”, ela me disse sorrindo enquanto me mostra os rascunhos. Então é assim que isso funciona, suponho: acordas, pegas um paraquedas do armário, tiras um figurino e fazes uma prenda!

IMG_0324

IMG_1509“Você deve ter ajudado” falei à ajudante, sentada do meu lado.

“Não, não. Ela não quer ajuda”, me responde sorrindo,

“quando está fazendo um vestido ela não quer ser incomodada até que o trabalho acabou, sem importar a hora”.

Eu não tinha reparado em que ainda há designers que trabalham assim atualmente. Pensava que tudo seria informatizado e a seguir as tarefas seriam designadas aos ajudantes, um atrás do outro, até o ultimo enviar o desenho para a China ou Bangladeche, ou qualquer lugar onde façam roupa reduzindo o gasto.

Quando me aconselharam encontrar com Michiko, eu não tinha certeza pois o que é que ela poderia estar a fazer que fosse tão especial? Tudo já foi inventado e a moda é só uma coleção de marcas e ações de marketing, e a qualidade dos produtos é o último fator a ser considerado.

Eu não acredito em marcas, nem que usar umas ou outras possa definir uma pessoa ou torná-la diferente. Alguns amigos que trabalham no mundo da moda me disseram que eles vendem sonhos; bem eu respondo que eles vendem só ilusões.

Finalmente quando conheci Michiko, porém, foi uma sensação diferente, pois eu estava na frente de um lindo enfeite de cristais tão delicado que até tinha medo de encostar nele. O jeito delicado dela, o acento japonês ao falar inglês cria uma aura ao redor dela e me faz querer saber mais sobre a designer.
Nasceu em Osaka, é descendente de uma grande família tradicional de modistas no Japão, especializada na produção de kimonos desde há muitos anos. Foi a mãe dela, Ayako Koshino, quem rompeu com a tendência e revolucionou a produção de roupa no país. Desde que ela era bem pequena, Michiko brincava no ateliê da mãe dela a explorar sua criatividade enquanto aprendia valiosas técnicas. Ela é a mais nova de três irmãs também designers que trabalham seguindo a trajetória da mãe.

Em 1974 ela se formou na Universidade Bunka Fukuso Gakuin, a mais prestigiosa escola de desenho e moda do Japão, e mudou para Londres. No começo, ela não tinha a intenção de trabalhar como designer, mas de experimentar uma nova cultura. A cultura japonesa, segundo ela, era insular demais.

Mas a moda estava dentro dela. Logo começou a criar inovadores desenhos que aproximavam as tradições japonesa e britânica. A rebeldia contra o uso tradicional dos materiais levou ela para uma nova direção e Michiko começou a ganhar popularidade como designer pioneira que até hoje influencia a industria.
Após ela abrir a primeira loja em Covent Garden, a qual se assemelha à atmosfera de um night club, ela virou um sucesso e tornou-se mais conhecida do que as próprias irmãs, que tinham continuado com a marca da mãe no Japão.

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Depois de ter conversado com ela sobre o sucesso que conseguiu, percebo que ainda tenho dificuldades para ela se expressar abertamente. É muito tímida. Admito que sempre admirei como os japoneses interagem socialmente com pessoas desconhecidas; as vezes acho que na cultura ocidental nós somos extremamente próximos: parece que devemos mostrar a confiança que temos em nós mesmos. De fato, isto pode ser uma mostra de uma carência. Mas isso é somente uma anedota.

Mesmo assim, quanto eu mais falo com Michiko, mais eu percebo que a timidez dela está a me vencer. Finalmente, quanto eu pergunto sobre as novas criações o rosto dela muda completamente, some trás uma porta e volta logo com a última prenda que fez: um casaco que demorou só dois dias para fazer. Ele pode ser usado com mangas ou sem elas. A opção com mangas faz ele parecer um casaco normal, com uns enfeites muito especiais. Mas se escolheres usá-lo sem mangas, elas ficam ao redor do pescoço, adicionando um look muito elegante.

Ela some de novo e volta várias vezes com criações incríveis. Michiko começa a se transformar na minha mente numa menina que brinca no ateliê da mãe dela. Ela ri enquanto está a posar, ela está completamente no ambiente dela e se mostra completamente expressiva.

Eu pergunto para ela o que ela acha que é a moda de luxo hoje e ela responde diretamente: “É aquilo que só pode ser feito à mão e ninguém pode o reproduzir”. Sim, isso é claro, mas quantos podem se permitir esse luxo?, pergunto.

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“Eu não sei, mas eu para cada novo desenho faço uma única e exclusiva peça”, me responde.
Então, de onde ela tira a inspiração? “É difícil de dizer, pois tem muitas coisas que vêm na minha mente, analiso todos os meus pensamentos e o resultado eu não posso prever; as vezes tenho ideias novas em sonhos e é então quando eu acordo e as torno faço”.

É assim que o vestido do paraquedas existe, suponho. Novamente a originalidade dela te atinge, e quando lhe pergunto se ela admira algum dos outros profissionais da moda, ela diz “Não sei. Eu compro o que eu gosto. Mas não conheço muitos designers. Não sigo uma moda”. Essas respostas claras e diretas somam-se ao estilo da artista.

A marca de roupa dela começou a incluir cosméticos, roupa interior, maquilhagem… À venda em todo o mundo. Ela é dona das marcas Michiko London, Sudo, Ta Feng, Shin Myung Mool San, Chiyoda Bussan, Mandom, Gunze e Mitsubishi Rayon.

 

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Ela sempre ultrapassa fronteiras na moda, adicionando novos e únicos tecidos nos desenhos. Experimentar com novas ideias é o que Michiko sempre faz. Ela usa qualidades modernas da sociedade do país dela para os desenhos. Roupa sexy e confortável para os clientes mais novos. Ela usa Oriente e Ocidente, tradicional e futurista, como assinatura nos trabalhos dela.

Finalmente, eu tive que lhe perguntar: “Você acha que os designers vendem sonhos ou ilusões?”. “Eu não sei. Eu vendo arte”. Sinceramente, não difícil acreditar que ela está a dizer a verdade, pois a originalidade dos desenhos dela e as mãos que os tornam realidade é tão única que cada criação tem o efeito de uma obra de arte, e entendo que Michiko alcançou esse sucesso.

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